segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Deuses e foices.



Meus olhos escorrem a serragem
dos anseios de deuses ciumentos
como orações de criança
iluminado em um estado de desespero e alegria
eu coloco todas as minhas conchas
no teu terço de mistérios e sangrias.

Flores para os profetas
pólvora para os mártires inaudíveis!
falar é pesado, ter convicções é perigoso!
tão distante e posto nas nossas mesas
só vejo esse ressentimento de brisa salgada
sem árvores, só prédios, entre o café e
páginas de colunas frescas 
visto as existências podres do jornal.
não tenho comoções ou convicções
   [pois as idéias e reflexões ao meu redor, assemelham-se a moscas]

por quê tudo é demais e sem consolos
ou tudo é impossível como represar a decomposição e a fúria.


[Ao som de Tycho - Awake]

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Flux

Noite em tormenta
Noctívago a carregar entre os dedos
Areia de um túmulo de prazer e asfixia

Gritos e sussurros
O olhar de meu pai caindo
O ódio de minha mulher
O desespero de minha mãe
A vergonha de todos
E eu a fazer malabares com lâmpadas no sinal.

carros, arredores de amores e busca cíclica
aquele rosto branco
aquela tua boca pequena
Eu de duzentos anos te pedindo sal
Te amo
E digito seu nome no google há muitos anos.

Olhar para os olhos dela
Enche-me de sorriso e paz
Mas não há sequer um dia
Que eu sonhe em ir embora
Para ir beber cerveja na praia.





segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Dezembro

Estou do averso com a solitude
intrigado com aquela paixão recôndita
e perdi o apresso como quem esquece a fala
sim, perdi! Ao acaso proposital de encher-me com as besteiras.

Por que li alguns poetas chatos!
Por que escutei algumas músicas chatas!
Por que fiquei ofendido com arte pretensiosa e burra.

Estou dando tchau para toda a melancolia
por que a criação, as palavras, todo o forró das coisas
cheiram-me a belas pernas, seios de nuvem desconhecida
O saisons, ô châteaux!”
Sou todo para as estações e pra frente como um dardo
Quero toda a possibilidade de dar chutes e afagos
como quem esperou uma chuva que nunca veio.


Oração I


Por que eu estava morto
E não respirar e sonhar do averso
sentir o húmus e as raízes nos olhos
trouxe-me a exatidão do sonho

vez ou outra sorria no inóspito
alimentava larvas e centelhas
na ilusão de eu mesmo ser estrela
sendo o tolo do sacrifício inglório.

E todo o adágio que era esperar uma vela ou pranto
cansou-me gravar os dias no teto da sepultura
roguei a luz na escuridão e vi mil arcanjos.


domingo, 5 de outubro de 2014

Do Verdadeiro Perdão





Estrela que me conduz, estranho ser...
fatigado de desejos e buscas cíclicas
Reflito sobre toda partícula de minha vida
E visito cada segundo e todo sofrimento.

Já homem, ninguém havia me dito
que a ausência de sofrer provinha da compaixão
com o próprio sofrer.
Que todo anseio e desejos coagulavam cinzas em mim.

Envolto de vozes e pesadelos de terríveis bestas
Eu não conseguia deduzir o princípio daquela tristeza
E com um estalar de dedos, entendi tudo sobre o acaso.

O entendimento do que era dor trouxe-me certezas
Mas me encontro cheio de marcas, e vê-las

Debruço-me sem conjecturas e perdoo todo o meu passado.

sábado, 4 de outubro de 2014

Amor I


 
Ando tão esquecido em lidar contigo, coração
que escondo as chaves, minto descaradamente
escondo as fotos deste amor debaixo do tapete
e ando triste e feliz em lágrima e cartas noturnas.

Causa-me espanto, esta pétala de insegurança
adolescente de novo, nem isso, talvez uma criança
a brincar demais com um brinquedo inapropriado.

Mas nada é, nem importa, por que tudo é inferno
[Este inferno abissal que são minhas ideias rubras]
Em não admitir esta inabilidade amordaçada ao peito.

Dói, este desejo insistente e cortante
Por que amo este teu olhar e não saberia ao certo
O tamanho da morte de existir se te perdesse ou te ferisse.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

O Barco


Navego em um barco abarrotado de caixas e ecos
beijo serenamente a lona e me afogo
acordando de um pesadelo que tiveram por mim

sem fantasias, sem glória, sem atingir uma centelha,
minha casa é esta solitude
comendo os espelhos que me olhei em momentos de fúria.
Mas hoje, as cinzas amarrotadas daquele sonho
só me parecem perdidas e despropositais.

Embora, chegue esta hora, toda a música,
toda a cor deste pêndulo que é viver
impulsionam-me na direção deste desejo inominado
se é mera vontade, se é impulso irrefletido não sei
continuarei
A velejar neste barco abarrotado de queixumes e enfados.