domingo, 31 de julho de 2016

Anseio para os coqueiros


sobre a vento e a quentura da chegada de agosto
de Teresina de cinzas e ferro
neste quarto
junto minha bagagem, para ir ver o mar.

sábado, 25 de junho de 2016

Lutando contra a corrente.





Engrenagens emperradas
partem meus joelhos
tombados de parambular
em busca da felicidade.
Forçar como um remo contra a corrente
sentir o peso e as águas fortes
duramente a infligir golpes
Sobre um amor descontente.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Indicadores


Queria ter dentes como os teus
dentes que trituram meus versos
e desmoralizam os mais feios subterfúgios
E de que adianta?
fingir pesados desvelos e sonoros nãos
quando gostas de ver refletido nos meus olhos
o sorrido dos teus olhos que dizem: por que não?







sábado, 13 de fevereiro de 2016

Montando em um meteorito




Não se importar com a boca de toda a gente
É um exercício audaz sobre profunda imersão
Eu definitivamente aprendi a andar sobre este meteorito
Entre a alma e os jogos internos
Eu me encontro e me concentro sobre as nuances
deste prazeroso silencio profundo.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Disforme

atado a garganta
esse estrangeiro inadequador
que é o teu eu referenciado em mim
é o xarope de cacos que tomo
todas as manhãs

ostento com tua voz
minha coroa de ressentimentos
minha casa caída e justificada
ostento essa barroada
que é meu eu embebido no teu

embora tudo
amo os grilhões dos teus cabelos
eu não saberia ao certo
se viveria
sem teu vírus
sem minhas correntes
e bolas de ferro
sobre o meu reflexo disforme


sábado, 21 de março de 2015

Demasiado doloroso para se estar entregue


Deixo cair do meu coração
bolas de arame entaladas como gigantescos redemoinhos
E velhas imagens e dolorosos pesares
emergem da chuva, do cheiro fresco, da solidão 
da madrugada.

Deixo cair do meu coração
Todo todo o controle, toda a fina conjectura
E me regozijo com o "não eu"
Em detestar estar imerso em uma orbe irracional
de desejos retesados, de poluições
imaginando um bem estar para enigmas indecifráveis
mensagens cercadas de time outs
e beijos que expiram
E a meninice em ter entregue ao desleixo a chave do meu peito
para que tu vida! me ferisse.

Mas algumas lembranças do mar
das pedras do litoral
E esse coração
Eleva-se perante a dor com os joelhos incendiados
E vendo na incoerência do existir
somente os cheiros, os abraços
que posso dar em mim mesmo
quando eu estiver solitariamente apartado
andando sobre as linhas do agora
do meu tudo.





sábado, 7 de março de 2015

Não me lembro de uma vez que devo ter tocado teu rosto com meus lábios.


Discos, canções e poemas velhos
não me lembro de uma vez que devo ter tocado teu rosto
com meus lábios.

A casa, o cachorro, a melodia menor
o timbre cálido, a vela, a chuva, a tempestade
chove no nordeste e essa solidão me faz corar
lilás

O rádio na madrugada, eu sempre esperava
Life House e Go Go Dolls.
Escrevendo versos, fumando cigarros, olhando
as aranhas nas plantas, sabendo que chegaria
atrasado no colégio
meu velho caderno
meu velho coração ambulante.

cheiro de corda quebrada
cancioneiros rasgados, aquelas palavras
entrecortadas, aqueles diálogos de horas
aqueles engasgos de chumbo
quando eu te encontrava
quando eu estava ao teu lado...
não me lembro de uma vez que devo ter tocado teu rosto
com meus lábios.