terça-feira, 13 de maio de 2014

Completo.



Meu corpo liquefeito
mistura-se aparte de toda inquietude e vão desvelo;
brisa, maré, morosos coqueiros do maranhão...
A sensação de estar desperto de todo sofrer
O desapego de todas as delusões amargas do meu querer...

Meu corpo sem freios
Viga a sustentar todos os meus segredos desnudos
Fico aqui sobre esta tarde, a cismar de sonhos profundos
De encontrar a alegria em me misturar no tempo como um espelho.

Vespas, pássaros, grama, gafanhotos e nuvens...
Meu peso, meus olhos e minha saliva
Tudo em um todo, tudo fincado no ciclo da vida
Estou completo das ausências de meus desejos.



Fugere Causas.


A minha alma translada em todos os lados
De arcanos a cartas, de pétalas a escadas
Absorto como um vaga-lume no escuro
De certo, divago entre o sofrimento e a felicidade.

Escondida e mágica como o brilho de toda deidade
a lâmina ideal de meu ser, este velho labirinto
estou desperto mais que o céu, para tudo o que sinto
A mergulhar como uma rocha sobre o mar salgado.

Meus olhos, minhas mãos, meus pés sobre as folhas
cada sussurro de não ser e calar todos os meus pensamentos
continuo a andar e a acalmar meu coração em silêncio.

Mas como um navio quebradiço e moribundo
Estou a inundar de águas escusas o meu precioso mundo
De uma vaga a afogar-me de futuro e passado.



domingo, 27 de outubro de 2013

Um homem vazio


Enquanto rejeito aquelas pétalas
e costuro velhas lágrimas
eu permaneço com os pés sobre as águas
pescando saudades incertas

Pois posto que é a sobra da incerteza
fito adiante toda beleza
Sobre as sensações e paixões não defloradas.

Mas envolto e sobre as memórias do meu sono
revejo o teu corpo, esta navalha
Um pêndulo sobre as impressões do meu corpo
Um corpo
vazio vivendo nada mais que um
brocado cheio de lâmpadas esquivas
e retalhos.



segunda-feira, 15 de julho de 2013

Peso colossal

Estou cansado
E incessante busco o contágio de tua foto
lanço mão de todos os atributos para vestir a tua túnica...
estou infestado de memórias tuas como uma esquina ou um jardim.

Fico
Comovido e com a saudade
fechando a minha garganta e latejando os pulsos
em cada rosto da rua eu te procuro
como um mendigo
ou um transeunte com uma boca sem sorriso que estertora.

E neste
peso colossal
De viajar carregando um mundo de vazio
Fico a jogar pedras no rio
E a tatear imagens reluzentes de uma além-nada.





sábado, 29 de junho de 2013

Tua foto.


Essa chatice, de coisa, de ver tua foto
ver a tua face, e acomodar todo esse martírio
esse vazamento de mim
Faz-me uma represa colossal de mensagens de solidão.

Vou mandar ir para o letes todas as sensações
E o resultado é um sorriso de ferro
E um sentimento de poça d´ água.

Bâbado em convenções, configurações, protestos e mordaça
Iteração boba da minha alma
que busca viver sonhos falsos.

Em um Estouro de pilha, lágrima e carapaça,
assim que te vejo, range a minha alma
e o peso, a surpresa, do teu nome no peito,
supracitado.

Não recordo, de nada recorro.



Medito
Meio dia
nestes cansaço e vontade de socar a porrada em tudo
Esse fechar de janelas, o desligar do sol,
Esse não sei aonde meus pés desejam ir.
Formiga-me em estalos como os ratos que brincavam no forro do meu quarto.
Não recordo se era real ou sonho.
Não recordo, de nada recorro...

Vivo me enchendo.


Rio grotesco de sol e urzes
a percorrer nos meus poros de deserto.
Vivo contaminando idéias de coisas
Vivo me enchendo de tal forma com as coisas
Que recados dados, pães adormecidos
e descargas envelhecidas
Me embalam num badalar soturno de música.