Acaso eu.
As vezes, espanto-me quando estou reclamando das coisas.
Acaso não fora eu que trouxe a pólvora [e me escondi no entardecer para pintar histórias de vitórias e conquistas nas quais eu estivesse imergido?
e por todos os santos e anjos tivesse rogado por uma chance de apunhalar os medos que haviam me perseguido?]...
sexta-feira, 15 de março de 2013
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Monolítico.
no jardim
vi um pássaro verde e grande.
meu entusiasmo em vê-lo
consumiu-me de súbito e quis
por todo aquele instante
que ele não partice.
tive de dormir forçado
enquanto meu corpo
rugia por descanso
por toda a agonia
de ranger como memória
por ceder como febre
queria recompor
e recriar tudo
como um Deus que fez a si próprio:
E anulado a
medida exata dos meus
cansaços, fastios
e preguiças
queria comer o bolo
e olhar esse pássaro
a tarde toda.
no jardim
vi um pássaro verde e grande.
meu entusiasmo em vê-lo
consumiu-me de súbito e quis
por todo aquele instante
que ele não partice.
tive de dormir forçado
enquanto meu corpo
rugia por descanso
por toda a agonia
de ranger como memória
por ceder como febre
queria recompor
e recriar tudo
como um Deus que fez a si próprio:
E anulado a
medida exata dos meus
cansaços, fastios
e preguiças
queria comer o bolo
e olhar esse pássaro
a tarde toda.
Ideário
Sinto saudade de dias que não tive e de pessoas
Mas o meu cansaço de tê-las por perto me enfada,
Um cansaço de empatia, - O "não ter um assunto incompreendido e amarelo".
Sinto completamente que a ausência de tê-las, me completa,
Pois a conjectura, a nuance que pintei eu meu ideário ou conjunto de símbolos,
Atingi com abstrações: recordações tão sucintas!
Que prefiro tê-las ao me deparar com o ostracismo do real!
Prefiro tê-las como um móbile, um relicário, uma carta de amor esquecida
Ou um retrato não compartilhado.
Sinto saudade de dias que não tive e de pessoas
Mas o meu cansaço de tê-las por perto me enfada,
Um cansaço de empatia, - O "não ter um assunto incompreendido e amarelo".
Sinto completamente que a ausência de tê-las, me completa,
Pois a conjectura, a nuance que pintei eu meu ideário ou conjunto de símbolos,
Atingi com abstrações: recordações tão sucintas!
Que prefiro tê-las ao me deparar com o ostracismo do real!
Prefiro tê-las como um móbile, um relicário, uma carta de amor esquecida
Ou um retrato não compartilhado.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Correntes.

Enquanto caminho
atado a tua face, cinza crucificada
no meu peito fuzilado
intrincado de cacos de cinzas
Pela cercania que é teu olhar, oh doçura!
De correr pelos os montes atado a certeza
de que só terei eu esperando por minhas
próprias saudades tristes e tranqüilas!
Dar-me ao fardo com os sonhos alheios...
Não tenho tanto assim para ser um anacoreta.
Eu não vou me crucificar (falo sério, de ombros tortos)
nem vou ficar acorrentado
[mil vezes acorrentado]
no eco onde tuas palavras são secas e sem flores.
Thymochenko Cabral
terça-feira, 20 de outubro de 2009
A aparição mais terna que inventei

[quadro de Paul Gauguin]
A aparição mais terna que inventei
Foi uma trova antiga
Estes teus olhos de morna alquimia
Renasce em minha casa de Rei.
Fui para o brejo com tudo, com as canções,
Elegias, papyros e adornos de nácar e ouro:
E com todas as sensações que “poderiam ter sido”.
E enfadado de Rio, Rei e amorosa Lua
Matei meus súditos e minha lei
Para viver afastado da memória e das trovas
E da aparição mais terna que inventei.
Todos se divertem

E todo o silêncio da modernidade
Incomoda minha casa
E minha poesia impura e calculada
Veste a ferrugem de um coágulo
Recompondo a ânsia
E a solidão.
Todos se divertem
E eu estou aqui estudando miolos
Todos se apaixonam
E eu estou envelhecendo com o amor
Todos festejam o que quer que seja
E pelas paredes velhas do que sou
Tenho um ser malogrado e sem centelha.
estou desqualificado
Para compor a mesa. Dê-me um cigarro,
Não fumo... Corte o copo ao meio
Tenho doenças por bebida... quero comer
Saudades postas... sei que o teu rosto não é
o de outrora, nem o meu.
Mas tenho algo, formidável e puro
Para escalar estrelas...
Luzes no vagão solitário

[quadro de Hans Hartung]
Luzes no vagão solitário
Dor da noite, parto de lágrimas...
Minha comoção é um couro sidério
E minha pele um céu sem estrelas ou dias.
E para aonde vou, estrada de nostalgia,
Beijo amargo que alberguei, cinamomo frouxo
Crisântemo orvalhado de ceramias
Asco e cripta no cheiro plúmeo e fosco.
Tenho cartas cinzas, livros de código,
Passagens só de ida.
Adorno fantasma no meu caderno fechado
Dos poemas que me enojei
Dos versos que não suporto
Ao soco de urzes
Nos meus arquipélagos de misantropia.
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